Wednesday, September 29, 2004

O Ano da Cantada Infalível

- Ó o tamanho da minha mão. Tá vendo o tamanho da minha mão? Imagina o resto.

(cantada vencedora de Grammy, e preferida de Rach e outros pianistas desconhecidos do século passado)

Aliás, a Medicina (assim, com M capital) afirma haver uma correlação entre o tamanho do pé e do pênis. Donde a psicologia conclui que sapatos apertados gerem calos gravíssimos.

O Ano do Spam Patriótico

Se spam fosse coisa boa, não chegava em casa de graça.

A moça do canal educativo disse ainda há pouco que não apenas que o spam em lata é melhor - argumento que não me seria fácil sustentar -, como o virtual faz o mundo perder milhões e milhoes de patacas.

Bem, sobre o escoamento de bilhões, eu também não poria minhas mões no fogo por nem uma fração de segundo, mas como acho spam coisa chatíssima, creio que o argumento seja válido para tentar alterar a lei.

E pra ter certeza de que lograremos êxito, basta pegarmos os e-mails dos congressistas, todos disponíveis na internet, e fazer campanha. Não com argumentos cretinos e assinaturas seguidas de números inconferíveis, mas mandando diariamente centenas de e-mails de emuladores penianos e congêneres compráveis on-line.

A tática me parece infalível. Exceto se um dos velhinhos comprar, der certo, e começar a fazer propaganda. Aí já era.

Saturday, September 11, 2004

O Ano das Fantasias Disjuntas

É impossível unir todas as partes de uma vida. Eu não consigo nem encaixar os meus pares de meias.

Sem que percebesse, me tornei filho, namorado, amigo, empregado, colega de trabalho, correntista, conhecido de internet, primo e até blogueiro. É desesperador, a cada dia me vejo um ser mais difuso e fantasmal. Não sei onde isso vai parar, e o mais enigmático da Santíssima Trindade é que Deus seja apenas três.

Sei que a observação não é original, pois o problema é universal. De Ricardo Reis a Frodo Baggins, todos sabiam inconscientemente o problema de ser um e inteiro: ou você é um, ou é inteiro e fragmentário. Não há meio-termo, não há solução, e vá explicar isso pra alguém na véspera de um feriado.

Friday, September 03, 2004

O Ano de Amanhã em O Globo

Nada mais ingênuo que espumar enfurecido contra o "monopólio global", pois foi, de longe, a melhor coisa que podia ter acontecido à tevê brasileira.

Muito mais consistente que a má qualidade e caretice dos programas da emissora, é sua vocação para enterrar os malas. Nisso é a maior do mundo!

Se surge um novo valor na MTV ou Gazeta, três meses depois a Globo já contratou e enfiou num horário lá pelas duas da manhã. Dois meses depois, a promessa está enterrada e caiada no vazio do descaso e do esquecimento.

Quem, portanto, poderá ser contrário ao monopólio? Não eu, repito. Quero mais que contratem do Raul Gil à Hebe Camargo. É minha oração no almoço, no café, e antes de deitar.

Não que a Globo seja infalível, claro. Faz alguns anos que tentam se livrar do Faustão e da Xuxa, e agora há o garoto da chinela 37, mas aos poucos o espaço diminui. De qualquer modo, se a Globo se livrou até do doutor Roberto, esses aí não hão de durar a eternidade.