Friday, August 20, 2004

O Ano do Amolador de Almas

Otto Maria Estendido, espírito elegante que a ironia do destino pôs no Brasil, negou-se a registrar em Uma Nova História da Música uma das tradições mais difundidas neste Brasilzão de meu Deus: os músicos amoladores.

Pelo que agradeço, ou pararia a leitura no meio.

Talvez tenha preferido registrar num livro de antropologia. Trata-se da mais refinada forma musical desde que os árabes começaram a compor em ritmos conhecidos como "o passo do camelo" e "o galope do cavalo".

Os antigos diziam que a arte imitava a vida. Mas precisava ser a vida de animais? Não basta as pessoas dizendo que a cidade é um zoológico humano? (se bem que o cativeiro explicaria a diminuição da taxa de natalidade)

Imaginem Wagner compondo um ciclo de óperas para os loops de um Hamster. Ou Bach ritmando sua música conforme o transporte público de sua geração! Felizmente nada disso ocorreu: o mais próximo foram as cavalgadas das valquírias, e o Oscar para Dança com Lobos. Somos muito avançados.

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