Saturday, July 31, 2004

O Ano do Prato do Dia a 4,90

Abril é o mais cruel dos anos.
Lilases comeram o de gregos e baianos.

Em abril passado, perdi minha vida após um telefonema. E nem foi DDD. Venderam-me a idéia de que trabalhar fosse bom.

Não acreditei, mas fui na onda. A vida é um declive, e o dinheiro é a prancha. Vício maldito! me estrepaste.

E até nas horas de folga reina certa agonia. Não em casa, ou nos happy hours: no almoço, esclareço. Viciei-me no prato do dia, é belo como o binômio de Turing, mas tenho de aguentar os relinchos de colegas do trabalho.

Por três reais, almoçaria na casa da mãe, mas ela mora longe, e o caminho é lotado. O Prato do Dia, além de próximo à sua empresa, oferece um cardápio semanal a preço acessível, e as mesas à rua permitem que o cliente fume sem escutar ninguém falando sobre sua saúde.

O Prato do Dia é um templo, e não admito que o confundam com um PF proletário qualquer, talvez de dois e noventa.

Não sou dogmático, meu sonho é o fim do creme de milho às sextas. Adoro creme de milho, mas gostaria de ser surpreendido às quintas. Já pensei em sugerir uma caixa de sugestões ao dono do estabelecimento, mas o povo é mau, como qualquer eleição para vereador demonstra.

Não sei o que será de mim. Gostaria de levar marmita de casa. Mas o nome é muito feio. E onde trabalho não precisa capacete.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

O nome é que mata. Gasto mais do que posso, por não tolerar dizer "marmita"...

Elton
xy7htk.wunderblogs.com

12:29 AM  

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