Monday, August 30, 2004

O Ano da Hitita Bacana

Estou sentado num escritório, cercado por cabeças e corpos que repetem textualmente o que se afirma desde tempos imemoriais: "o mais formidável a respeito da civilização hitita era que os trens chegavam sempre no horário". Isso e algo sobre campeões morais.

Sobre Maratonas nada sei, que vi apenas a do Seinfeld na Sony. Mas sobre horários de trens hititas, muito mais formidável é a unanimidade dos especialistas. E o mais surpreendente é que nenhuma pessoa inteligente, das que usam nós kekulé às que frequentem cafés com óculos coloridos, tenha desconfiado...

Sim, sob risco de morte e de recebimento de notas de repúdio, revelo-lhes a verdade que navalha de Hanlon alguma me poderá tirar: a importância dos hititas foi a terceira maior piada acadêmica do século XX. Uma civilização relevantíssima surgindo ex nihilo? Sinceramente...

Que as obras da família Dawson (vide o homem de Piltdown) foram mais eficientes, ninguém pode negar, mas sua pobreza não resistiu aos clamores do tempo. A despeito da cotação de cinco bananas, são bem menos sensacionais.

A anedota hitita não só convenceu o mundo da existência de uma grande civilização inexistente, como se perpetuará imaculada, pois dela muitos ainda tiram seu sustento. (os menos sutis, desenterrando as porcelanas da avó e vendendo a turistas)

É a mentira perfeita, vaidade almejada desde a ascensão dos sofistas (espécie de promoters do Conhecimento da época), e que teve sua melhor forma nas memórias do velho Onassis.

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